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Hipertireoidismo

Quais são os sintomas do hipertireoidismo?
           
O hipertireoidismo é mais comum em mulheres, geralmente na faixa entre os 20 e os 40 anos. Os sintomas podem ser assustadores, principalmente se a pessoa afetada não tem idéia do que está acontecendo a ela.
Pessoas com hipertireoidismo têm excesso de hormônio tireoidiano porque sua tireóide produz mais hormônios que o normal. Isso faz com que todos os processos do corpo funcionem de forma acelerada. O diagnóstico de hipertireoidismo é feito através de exames de sangue, com a dosagem dos hormônios tireoidianos (T3 e T4, que se encontram aumentados) e do hormônio que regula a tireóide, o TSH (que se encontra diminuído).
Alguns dos sintomas são:

- fraqueza muscular - dificuldade em subir escadas ou levantar coisas pesadas;
- tremores nas mãos;
- batimentos cardíacos acelerados (taquicardia);
- fadiga e cansaço fácil;
- perda de peso importante, mesmo alimentando-se de forma normal;
- fome excessiva;
- diarréia ou aumento do número de evacuações;
- irritabilidade, agitação, ansiedade;
- insônia;
- problemas nos olhos (irritação, ardência ou dificuldades para enxergar);
- irregularidade menstrual;
- suor excessivo e sensação de calor exagerado;
- infertilidade.

           
Quais são as causas do hipertireoidismo?

A causa mais comum de hipertireoidismo é a chamada Doença de Graves (lê-se: “greives”), que recebeu esse nome em homenagem ao médico que a descreveu em 1835, Dr. Robert Graves. Essa doença ocorre quando o sistema imunológico (sistema de defesa do organismo) começa a produzir anticorpos que atacam a própria glândula tireóide. Esses anticorpos exercem um efeito semelhante ao do hormônio que regula o funcionamento da tireóide, o TSH, e levam ao crescimento e ao funcionamento exagerado da glândula. É freqüente o acometimento familiar na doença de Graves, atingindo mais de um membro da mesma família. Um dos sintomas mais dramáticos da doença de Graves pode ser a alteração dos olhos que acontece junto com o hipertireoidismo. Quando isso acontece, a pessoa pode ter um inchaço atrás dos olhos que os empurra para a frente, fazendo com que estes fiquem parecendo maiores e mais saltados. Muitas vezes os olhos ficam constantemente irritados e vermelhos. Pode acontecer piora da visão.

Outras causas de hipertireoidismo são:
- alguns nódulos de tireóide (leia mais sobre nódulos tireoidianos clicando aqui)
- bócio multinodular, uma doença que acontece em pessoas mais idosas, geralmente com tireóides aumentadas há muitos anos;
- tireoidite subaguda, que é a inflamação dolorosa da tireóide, devido a uma infecção viral que destrói parte da tireóide e lança no sangue o hormônio que estava armazenado dentro da glândula. A inflamação melhora espontaneamente dentro de alguns dias ou semanas, e o hipertireoidismo também melhora;
- tireoidite linfocítica e tireoidite pós-parto: são tipos de inflamação indolor da tireóide que podem levar a uma descarga de hormônios tireoidianos no sangue e a um hipertireoidismo de curta duração;
- ingestão de hormônio tireoidiano em excesso, para tratamento de hipotireoidismo ou como componente de outras medicações (por exemplo, “fórmulas” para emagrecer).

Como é tratado o hipertireoidismo?

Vários tipos de tratamento podem ser usados no controle do hipertireoidismo, dependendo da causa em questão.
O tratamento pode ser feito com medicamentos. Os mais usados são os antitireoidianos, que agem diminuindo a produção de hormônio pela tireóide. Existem dois medicamentos desse tipo: o metimazol (Tapazol) e o propiltiouracil. No caso da doença de Graves, o tratamento pode ser feito com o uso de uma dessas medicações, geralmente por um tempo prolongado (um a dois anos, ou até mais), obtendo a normalização do funcionamento da tireóide, mesmo após a interrupção do medicamento, numa boa parcela dos pacientes. No entanto, o hipertireoidismo pode voltar, meses ou anos após a interrupção da medicação. Em outros tipos de hipertireoidismo, os antitireoidianos são comumente usados por alguns meses, até a normalização dos níveis de hormônios tireoidianos (T3 e T4) no sangue, e depois o paciente é encaminhado com segurança para outras formas de tratamento (tratamento definitivo).
Outro tipo de medicamento que pode ser usado são os chamados beta-bloqueadores, que são drogas que não bloqueiam a produção de hormônios tireoidianos mas controlam muitas das suas manifestações, como os batimentos cardíacos acelerados, os tremores, a ansiedade e o calor excessivo.
Quando os medicamentos não são suficientes para o controle do hipertireoidismo (como no bócio multinodular, nódulos tireoidianos ou na doença de Graves que não é adequadamente controlada apenas com medicação), o paciente é encaminhado para alguma forma de tratamento definitivo. Existem duas formas de tratamento definitivo: a cirurgia (removendo parte ou toda a tireóide) e o iodo radioativo (ou radioiodo).

O que é o iodo radioativo e como funciona?

A tireóide é praticamente o único órgão do corpo que retém iodo. Assim, formas radioativas do elemento iodo podem ser utilizadas com segurança para tratar o hipertireoidismo, já que vão liberar radiação apenas para a tireóide. O resultado final é a destruição parcial ou total da glândula, como se a tireóide tivesse sido “queimada”. A resposta ao tratamento pode demorar um pouco (entre 6 a 18 semanas), mas o iodo radioativo leva ao controle adequado do hipertireoidismo na grande maioria das vezes, inclusive com redução de tamanho da tireóide quando esta se encontra aumentada de volume. O tratamento com iodo é feito por via oral, em dose única, e algumas vezes requer o isolamento do paciente em um quarto com paredes à prova de radiação (para evitar danos a outras pessoas), portanto é um tratamento seguro e muito eficaz.
Entretanto, já que o iodo radioativo pode destruir também a parte normal da tireóide, é bastante comum que as pessoas tratadas dessa forma passem a apresentar hipotireoidismo, ou seja, níveis baixos de hormônios da tireóide e todas as suas conseqüências. Isso não impede que o iodo radioativo seja muito utilizado, visto que é preferível que o paciente tenha hipotireoidismo a hipertireoidismo, pois o hipotireoidismo tem um tratamento muito mais simples e fácil, e permite uma vida completamente normal sem grandes riscos. (Leia mais sobre hipotireoidismo clicando aqui)

Quando é indicada cirurgia para tratar o hipertireoidismo?

A remoção da glândula tireóide (tireoidectomia), que pode ser parcial ou total, é outro tipo de tratamento definitivo para o hipertireoidismo. No entanto, a cirurgia é deixada para último caso, devido aos riscos que acompanham qualquer procedimento cirúrgico. A tireoidectomia deve ser preferencialmente realizada por um cirurgião experiente, para reduzir esses riscos.
Algumas complicações que podem acompanhar a cirurgia de tireóide são:
- lesão de nervos próximos à laringe, que podem comprometer a voz (rouquidão permanente);          
- lesão das glândulas paratireóides, que controlam o metabolismo do cálcio no corpo, podendo levar a níveis permanentemente baixos de cálcio no sangue, cãibras, formigamento e enfraquecimento dos ossos (osteoporose).
A cirurgia, portanto, é reservada para casos em que há um aumento da tireóide (bócio) muito pronunciado, que dificulta a respiração, a fala ou a alimentação; quando há alguma razão para não usar o iodo radioativo; ou quando os medicamentos antitireoidianos e/ou o iodo radioativo não controlam adequadamente o hipertireoidismo. A cirurgia também pode ser indicada em pacientes que têm hipertireoidismo com a presença de nódulos suspeitos de câncer na tireóide (o que é incomum). (Leia mais sobre nódulos na tireóide)

Após a cirurgia ou o iodo radioativo, o que mais deve ser feito?

Após algum tipo de tratamento definitivo para a tireóide, o paciente deverá ser acompanhado regularmente para confirmar a sua necessidade de reposição de hormônio tireoidiano (nas muitas vezes em que o paciente cursa com hipotireoidismo) e adequar a dose da medicação conforme os níveis desses hormônios nos exames de sangue. Geralmente, essa reposição de hormônio é feita pelo resto da vida.

Adaptado de texto da The Hormone Foundation www.hormone.org

 
 
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