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Uma
grande polêmica surgiu no final de 2009, quando resultados de um
grande estudo com a sibutramina, o estudo SCOUT, foram anunciados,
mostrando que o uso da sibutramina poderia aumentar o risco de
doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e o
acidente vascular cerebral.
Devido a esses resultados, várias medidas foram tomadas em todo
o mundo, pelas agências reguladoras de medicamentos:
- A agência europeia, a EMEA, suspendeu a comercialização da sibutramina em toda a Europa;
- A agência americana, o FDA, recomendou a suspensão da
comercialização da sibutramina nos Estados Unidos;
- A agência brasileira, a ANVISA, lançou medidas para
restringir o uso da sibutramina, passando a exigir receituário
azul controlado (B2) para seu aviamento.
Entretanto, na visão de muitos endocrinologistas e também
da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), as
medidas adotadas para coibir o uso da sibutramina foram exageradas.
Entenda os resultados dos estudos
O
estudo que levou à decisão da FDA de suspender a
comercialização da sibutramina foi o SCOUT, realizado na
Europa, América Latina e Austrália, com pacientes com
excesso de peso e alto risco de problemas cardiovasculares.
Os
pacientes incluídos neste estudo eram homens e mulheres, com
mais de 55 anos, com índice de massa corporal (IMC) entre 27 e
45kg/m2, ou com IMC entre 25 e 27kg/m2 mas com aumento da cintura
abdominal.
Todos
os pacientes eram considerados como pessoas com alto risco de problemas
circulatórios, pois o estudo incluiu apenas pessoas com as
seguintes características:
-
indivíduos que já haviam apresentando previamente uma
doença cardiovascular (como infarto do miocárdio,
acidente vascular cerebral ou problemas na circulação das
pernas);
- ou
indivíduos com diabetes tipo 2 mais um fator de risco para
doenças cardiovasculares (por exemplo: pressão alta,
colesterol alto, fumantes ou pessoas com doença dos rins pelo
diabetes).
Metade
dos indivíduos neste estudo foram tratados com sibutramina, e
metade com placebo (ou seja, um comprimido sem efeito medicamentoso
nenhum, apenas para comparação).
Ao
final de 3 anos e meio de tratamento (em média), os pacientes
tratados com sibutramina haviam perdido apenas 2,5% a mais de peso do
que os pacientes tratados com placebo.
Entretanto,
os pacientes que receberam sibutramina apresentaram um risco 16% maior
de problemas cardiovasculares, principalmente infarto do
miocárdio e acidente vascular cerebral, apesar de não
haver aumento do risco de morte devido à medicação.
Posição da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
A
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) acredita
que as restrições ao uso da sibutramina foram excessivas,
pois a droga continua sendo eficaz e é uma das poucas
opções de medicações disponíveis
para o tratamento da obesidade.
Além disso, a sibutramina é comprovadamente segura, desde que respeitadas as suas contraindicações.
Deve-se
evitar a sibutramina, evidentemente, em pacientes com perfil semelhante ao dos
indivíduos incluídos no estudo SCOUT (pessoas com mais de
55 anos, diabéticas ou com problemas cardiovasculares
prévios), bem como em todas as outras situações
onde a droga já era contraindicada (hipertensão arterial
mal-controlada, arritmias cardíacas, problemas de ansiedade
etc.).
Nos
demais tipos de pacientes (jovens obesos, sem doenças do
coração ou diabetes), o uso da sibutramina não
apresenta riscos de complicações graves e pode ser
indicado, a depender da avaliação dos riscos pelo
médico.
Leia a posição da SBEM na íntegra, clicando aqui.
Estou usando sibutramina. O que devo fazer?
Se você está usando sibutramina atualmente, contate seu médico.
O
médico endocrinologista é o profissional mais indicado
para avaliar se o medicamento é seguro para você ou se
há necessidade da troca da sibutramina por outro medicamento
para ajudar na perda de peso.
E, o mais importante: não use medicamentos sem orientação médica.
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