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Como a obesidade é tratada?
Infelizmente,
não existe (ainda) nenhuma solução simples ou
definitiva para a obesidade, como uma pílula mágica que
acabe com o problema em poucas semanas. No entanto, existem diversos
tratamentos que ajudam a combater essa condição.
O tratamento da obesidade não é fácil, mas
é indispensável para prevenir as diversas
complicações que podem ser causadas pelo excesso de peso.
O próprio paciente deve estar estimulado para assumir uma
postura ativa e fazer sua parte no combate a esse distúrbio.
Numa visão geral, a obesidade precisa ser combatida com uma
combinação de hábitos de vida saudáveis,
objetivando diminuir a ingesta de calorias e aumentar a queima
energética. Esses hábitos de vida devem ser implementados
e mantidos a longo prazo, de preferência para a vida toda,
já que as pessoas obesas freqüentemente nascem com uma
tendência a ganhar peso com facilidade, e essa tendência
vai acompanhá-los pela vida toda. Assim, as estratégias
recomendadas para perda de peso incluem: reeducação alimentar (para ensinar o indivíduo obeso a alimentar-se corretamente, evitando o consumo de calorias em excesso), atividades físicas regulares e, em alguns casos, medicações.
Nos casos mais graves de obesidade (ou seja, com IMC maior que 40, ou
maior que 35 na presença de complicações
sérias do excesso de peso), também pode ser indicada a cirurgia bariátrica, que faz a redução do estômago e o desvio de parte do intestino para ajudar a pessoa a emagrecer.
A melhor pessoa para indicar que tipo de tratamento é indicado
para cada obeso é o médico. Alguns pacientes obesos com
problemas sérios, tais como diabetes, devem ser seguidos de
perto enquanto perdem peso, para permitir ajustes no tratamento e na
medicação utilizada. Os endocrinologistas, médicos
especialistas em hormônios e metabolismo, podem avaliar as causas
da obesidade e suas possíveis complicações,
direcionar o tratamento da maneira mais adequada e prescrever e
monitorizar eventuais medicações.
O que fazer para perder peso?
Consultar
um médico com experiência no tratamento da obesidade
é o primeiro passo para definir o que fazer e quanto peso
perder. No entanto, alguns conselhos podem ser dados a todos os
adultos, com excesso de peso ou não, para ajudar a controlar
e/ou prevenir esse importante distúrbio, que é a
obesidade.
Recomenda-se, portanto:
1) Reduzir as porções dos alimentos ricos em gorduras e açúcar;
2) Ingerir mais frutas, vegetais frescos e grãos integrais;
3) Praticar pelo menos 30-45 minutos por dia em uma atividade
física de moderada intensidade (por exemplo: caminhada
rápida);
4) Fazer pelo menos 3 refeições todos os dias, evitando
períodos longos de jejum;
5) Encontrar e aproveitar as oportunidades para aumentar a atividade
física em atividades comuns do dia-a-dia. Por exemplo: usar as
escadas ao invés do elevador sempre que possível;
estacionar o carro em uma vaga um pouco mais distante ou descer num
ponto de ônibus um pouco mais afastado e fazer parte do caminho a
pé; ir andando até locais próximos de casa ao
invés de usar o carro; etc.
É importante frisar que não existem soluções rápidas e simples.
Não se deve esperar, portanto, por um resultado da noite para o
dia. Os programas de maior sucesso na redução de peso
são aqueles no qual o paciente se convence da importância
de efetuar as mudanças de hábito e se compromete
efetivamente a desempenhá-las.
Também é essencial que paciente tenha em mente metas
realistas e alcançáveis de perda de peso. A meta inicial
de qualquer programa de redução de peso é uma
perda em torno de 5 a 10% do peso corporal, dentro de um período
de 6 meses a 1 ano, podendo ser ajustada de acordo com as necessidades
e as possibilidades de cada pessoa. Parece pouco uma perda de 5% do
peso para alguém que tenha mais de 100 Kg, mas mesmo essa perda
é considerada um sucesso, uma vez que pode ajudar a controlar
muitas das condições relacionadas ao excesso de peso,
tais como a hipertensão e o diabetes, e permitir uma melhora
significativa da saúde em geral e da qualidade de vida. Uma
perda de peso maior, de 15% ou mais do peso inicial, exige uma
mudança extremamente radical do padrão alimentar e do
nível de atividade física, portanto é muito
difícil de ser obtida.
Porque é tão difícil perder peso?
O
organismo de qualquer pessoa leva tempo (anos) para assumir sua forma e
peso, portanto não é de um dia para o outro que isso pode
ser mudado. De fato, perder peso leva tempo e exige mudanças
sérias e definitivas nos hábitos alimentares e no
nível de atividade física, que devem ser mantidos pela
vida toda. A boa notícia é que essa mudança pode
ser feita, e deve ser iniciada o quanto antes.
O médico é a pessoa mais indicada para indicar que tipo
de mudanças dietéticas devem ser feitas e que tipo de
exercício está mais indicado em cada caso. Não se
deve confiar apenas em dietas publicadas em revistas leigas ou
medicações supostamente milagrosas. Raramente esses
tratamentos produzem algum benefício palpável, se
é que produzem. O processo de emagrecimento exige apoio e
informação, e o médico deve ser a fonte.
A pessoa que está tentando emagrecer não deve ficar
frustrada se a reeducação alimentar e a atividade
física estiverem parecendo muito difíceis ou não
produzirem perda de peso rápida. Desanimar não ajuda em
nada!
Se o indivíduo “escapar” do seu programa de
alimentação e exercício – por exemplo, comer
demais ou deixar de praticar atividades físicas por alguns dias
– ele não deve, de forma alguma, desistir de tudo. Muito
pelo contrário: o sujeito deve esforçar-se para iniciar
novamente os padrões corretos de atividade e
alimentação, para permanecer na linha. Todos os seres
humanos são sujeitos a falhas, então algumas
“escapadas” vão eventualmente acontecer, mas isso
não deve servir como justificativa para deixar de seguir as
orientações.
Como mudar os hábitos alimentares?
É sempre complicado tentar mudar os hábitos das pessoas,
principalmente quando se trata de costumes aprendidos ao longo de
muitos anos. Por isso muitas vezes o tratamento da obesidade gera tanta
frustração, pois alguns indivíduos encontram
dificuldades em mudar um comportamento alimentar enraizado desde a
infância. No entanto, algumas técnicas podem tornar mais
fácil a mudança do padrão alimentar para pessoas
com ingesta excessiva de calorias, possibilitando a
adoção de uma alimentação mais moderada.
A modificação de comportamento, portanto, deve ser
estimulada e apoiada. O paciente deve receber informações
que o ajudem a implementar essas mudanças. Uma das
recomendações mais importantes é: aprender a
reconhecer e a evitar situações que favoreçam o
consumo excessivo de alimento. Há pessoas que comem demais
(“beliscam”) enquanto estão assistindo à
televisão, por exemplo; nesse caso, deve-se diminuir as horas
gastas em frente à TV.
Comer devagar também é importante. Alguns truques que
podem ajudar são: tomar pequenos goles de água entre as
garfadas, usar talheres menores ou mastigar mais vezes cada
porção de alimento. O paciente deve aprender a ser firme
nas suas decisões, tornando-se capaz de dizer
“não” à comida quando necessário.
Outro problema muitas vezes é quando o paciente se alimenta,
fora de hora, de maneira praticamente inconsciente, ou seja,
“belisca” e muitas vezes nem sequer se lembra de ter
comido, horas depois. Isso acontece com pessoas muito ansiosas ou
estressadas. Nessa situação, um recurso interessante
é usar um diário alimentar, onde o paciente vai anotar
tudo que mastigou ou ingeriu durante o dia. O uso desse diário
pode fazer com que o paciente perceba que, na verdade, ingere muito
mais alimento do que imaginava, e pode permitir que ele assuma o
controle da sua alimentação de uma forma mais efetiva.
O apoio da família ou de um amigo que também esteja
desejando perder peso também pode ser uma estratégia de
valor para facilitar as mudanças de comportamento.
Técnicas de relaxamento ou maneiras de reduzir o nível de
stress são freqüentemente úteis, quando as
preocupações cotidianas dificultam um padrão
alimentar mais saudável. O sujeito deve saber reconhecer a
diferença entre “fome” e “vontade de
comer”, e respeitar os horários para
alimentação.
Em casos mais sérios, quando a pessoa não consegue
controlar os impulsos e alimenta-se excessivamente mesmo sem ter fome,
isso pode configurar um chamado “transtorno alimentar”, e
exige avaliação psiquiátrica e, muitas vezes, uso
de medicações para reduzir a ansiedade, como a fluoxetina ou outros medicamentos do gênero.
Essas mudanças todas de comportamento podem ser mais
traumáticas e difíceis em pessoas que gostam demais de
comer, ou que usam a alimentação como uma das suas
principais fontes de prazer e entretenimento. Nesses casos, a pessoa
deve buscar novas formas de lazer e distração, ou novas
formas de descarregar suas tensões. Lembrar que: deve-se comer
para viver, e não viver para comer. O apoio de um
psicólogo é fundamental para auxiliar nessa
mudança de enfoque.
Resumindo, não há um único jeito correto de perder
peso. O obeso pode beneficiar-se de várias das sugestões
dadas nesse texto, que podem ser auxiliares às
recomendações do médico. Procurar um
endocrinologista é o ponto de partida para obter
avaliação, informação e apoio
necessários a esse grande desafio, que é perder peso com
saúde.
10 passos para uma alimentação saudável
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