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Medicações para Tratamento da Obesidade


Que medicações podem ser usadas para ajudar a perder peso?

No Brasil, os medicamentos disponíveis para ajudar o paciente a perder peso podem ser classificados em 3 classes diferentes:

a) Sacietógenos: Sibutramina – Nomes comerciais no Brasil: Reductil ® ,Plenty ®, Redulip ®, Vazy ®, e vários outros e genéricos - comprimidos de 10 e 15mg. É uma medicação que age aumentando a saciedade, ou seja, as pessoas precisam comer menores porções de alimento para se sentir satisfeitas. Geralmente é iniciada na dose de 5 a 10mg/dia, podendo se usar até 15mg/dia. A perda de peso média com a medicação é de cerca de 10% do peso corporal inicial, após um ano de uso, de acordo com os estudos realizados. Efeitos colaterais incluem: insônia, boca seca, suor excessivo e intestino preso, além de aumentos discretos da pressão arterial e da frequência cardíaca. É contraindicada em pessoas com alto risco de problemas cardiovasculares (que apresentem: idade maior que 55 anos, diabetes tipo 2, infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral prévio, hipertensão arterial mal-controlada, arritmias cardíacas ou insuficiência cardíaca) ou com transtornos psiquiátricos graves (ansiedade, crises de pânico, transtorno de compulsão alimentar etc.). Sua comercialização foi recentemente suspensa nos Estados Unidos e Europa, devido a estudos que mostraram um risco aumentado de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral em pessoas de alto risco cardiovascular que foram tratadas com o medicamento. Entretanto, em indivíduos jovens de baixo risco cardiovascular, sem contraindicações, ainda é uma opção segura (com estudos mostrando segurança com seu uso por até 3 anos) e bastante utilizada em nosso meio.

b) Inibidores da lipase intestinal: Orlistat – Nomes comerciais no Brasil: Xenical ®, Lipiblock ®, cápsulas de 120mg. É uma medicação que inibe a digestão e a absorção de gorduras no intestino, fazendo com que 30% da gordura ingerida seja eliminada nas fezes. Após um ano de tratamento, a perda de peso média é de 8 a 10% do peso corporal inicial, conforme os estudos. O orlistat pode reduzir os níveis de colesterol, ajudar a controlar os níveis de glicemia em diabéticos e ajudar a prevenir o aparecimento de diabetes em pessoas predispostas. Os efeitos colaterais da medicação são relacionados à perda de gordura nas fezes, e são mais pronunciados se o paciente ingerir gordura em excesso. Portanto, o paciente pode queixar-se de cólicas abdominais, gases, flatulência, diarréia (contendo gordura) e, algumas vezes, escape fecal e incontinência fecal (diarréia explosiva). Esses sintomas tendem a melhorar depois de algumas semanas de tratamento. O alto custo da medicação (em torno de 200 a 300 reais/mês) é um dos problemas com o seu uso.

c) Anorexígenos: Femproporex, Anfepramona e Mazindol. Essas drogas são as mais antigas para tratamento da obesidade, e seu uso já foi abandonado nos Estados Unidos e em muitos outros países desenvolvidos (como a maior parte da Europa) devido ao seu maior risco de efeitos colaterais. São drogas que produzem uma perda de peso de 9 a 15 Kg em 12 semanas, com perda de ação após esse período. Podem provocar: agitação, insônia (de fato, alguns motoristas de caminhão os utilizam para diminuir o sono – os chamados “rebites”), boca seca, dor de cabeça, palpitações, obstipação intestinal e aumento da pressão arterial (razão pela qual a pressão deve ser cuidadosamente monitorada em pessoas que fazem uso desses medicamentos). A anfepramona parece ter um potencial para induzir abuso e para dependência química, por isso seu uso não deve se estender por mais de 3 a 6 meses. O mais seguro parece ser o femproporex. O Brasil é o maior consumidor mundial desse tipo de medicamento. Recentemente, o Ministério da Saúde lançou novas regras para o uso seguro dessas substâncias, definindo doses máximas a serem utilizadas por dia, a fim de tentar coibir o uso excessivo desse tipo de medicamento, infelizmente tão comum em nosso meio (leia mais sobre as famigeradas "Fórmulas" para emagrecer, clicando aqui).

Outras medicações, que podem ser auxiliares na perda de peso, são a fluoxetina e outros antidepressivos (como a sertralina e a bupropiona); o anticonvulsivante topiramato; o antidiabético metformina; e outras medicações a critério médico.

Durante algum tempo, esteve disponível no mercado uma medicação de uma classe totalmente nova, o rimonabanto, que agia no sistema nervoso central reduzindo o apetite e o prazer associado à alimentação, bem como diminuindo comportamentos compulsivos (compulsão alimentar). A sua eficácia era semelhante à da sibutramina, com a vantagem de que produzia uma melhora mais significativa em outras anormalidades comuns no paciente obeso, tais como os níveis de glicemia (diabetes) e as alterações do colesterol. Entretanto, um efeito colateral comum e potencialmente perigoso dessa droga é a alteração do humor, levando o paciente à depressão e até mesmo ao suicídio. A droga foi retirada do mercado depois que alguns estudos mostraram aumento de casos de suicídio entre pacientes tratados com o rimonabanto (nome comercial: Accomplia ®).

 
 
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