Fonte: Folha de Londrina - 11/10/2006
Fila para redução do estômago é de 5 anos no SUS
Em Londrina, 270 pessoas esperam cirurgia de obesidade mórbida; procedimento particular custa R$ 12 mil
Hoje é o Dia Nacional de Prevenção à Obesidade. Data importante não somente porque estima-se que 70 milhões de brasileiros apresentem sobrepeso ou obesidade, mas também porque conseguir tratamento público para a doença, pelo menos em Londrina, está cada vez mais complicado. A fila para a cirurgia de redução de estômago - uma das medidas possíveis para casos de obesidade mórbida - é de quatro a seis anos de espera, assegura o responsável pelo ambulatório de obesidade do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Leandro Arthur Diehl.
Ele ressalta entretanto, que esta não é a única possibilidade. ''Primeiro é feito um tratamento clínico, acompanhamento com psicólogos e nutricionistas, para, se houver efetivamente necessidade, encaminhar à cirugia'', explica. Ao todo, no Hospital Universitário - que é a instituição credenciada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar a operação - existem cerca de 270 pessoas que já passaram pelas etapas descritas por Diehl e agora aguardam a cirurgia.
Ele afirma que, por conta dessa morosidade, as consultas para novos pacientes estão suspensas no HC. Uma opção, segundo o médico, seria o atendimento particular. ''Hoje já existem planos de saúde que autorizam a redução de estômago, por entenderem que é uma questão de saúde e não somente de estética, como se acreditava há alguns anos'', enfatiza.

Mas para quem não tem plano a saúde esbarra no bolso. Uma cirurgia como esta não custa menos de 12 mil. Pelo menos é o que garante o médico especializado em aparelho digestivo, Milton Ogawa. ''Existe uma outra possibilidade, que tem sido muito discutida no meio médico, que é a colocação de uma banda gástrica que vai regular a entrada de alimento no estômago'', destaca.
Segundo explicações do médico, o procedimento funciona assim: é colocado um anel na ''entrada'' do estômago que dificulta a passagem da comida, fazendo com que a pessoa tenha que selecionar melhor o que vai digerir, além de ter que mastigar mais. ''Isto causaria uma distenção lenta e progressiva no estômago, o que daria uma sensação de saciedade'', completa Ogawa.
O método, segundo ele, também seria mais simples e com menos riscos de complicações pós-cirúrgicas. Apenas o preço é que não muda. Hoje, a colocação de uma banda gástrica custa em torno de R$ 15 mil, não é aceita pelo SUS nem por vários planos de saúde.

Ogle passou de 121 Kg para 75 Kg: "Cirurgia não é milagre; sem se modificar, não adianta nada." Foto: César Augusto
A enfermeira e diretora executiva do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), Ogle Beatriz Bachhi, conhece bem as duas opções para perder peso. Ela conseguiu sair dos 121 quilos para chegar aos 75. ''Primeiro eu coloquei a banda gástrica e cheguei a perder 50 quilos, mas no ano passado tive que substituí-la e acabei fazendo a redução do estômago'', conta.
No caso dela a banda causou uma fibrose no estômago, por isso precisou ser substituída. ''Foi bom para mim. A cirurgia foi tranquila e o pós operatório também, mas depois me causou problemas, por isso optei pela redução'', explica. Mas o que ela realmente acredita que a tem feito perder e manter o peso é a auto-determinação e mudança de hábitos. ''A cirurgia não é milagre. Ela é importante para casos graves, mas sem a pessoa se modificar não adianta nada'', assegura.
Ela revela que passou a controlar melhor a própria alimentação e a frequentar academia. ''A compulsão pela comida é como uma droga. A gente sente prazer em consumir. Então não adianta achar que emagracer é fácil. A obesidade pode ser considerada doença, dependendo do ponto em que chega. Por isso é preciso prevenir''.
Guilherme Borges -
Reportagem Local
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