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Jornal Pampulha - Belo Horizonte - 01/03/2008

SAÚDE - Ovários Policísticos

Daniela Reis - Especial para o Pampulha

Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 5% e 10% da população feminina em idade reprodutiva sofre com a síndrome dos ovários policísticos, que consiste na aparição de pequenos folículos, formados pelos óvulos não liberados durante a menstruação, que geramcistos indolores nos ovários. Essemal geralmente é alvo de preocupação e angústia entre muitas mulheres, pois pode afetar a fertilidade.

Segundo o presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, João Pedro Junqueira, a causa pode ser genética ou ligada a distúrbios hormonais ocasionados, na maioria das vezes, pela falta de regularidade do ciclo menstrual. "Aquelas mulheres que não possuem um ciclo regular, geralmente a cada 28 dias ou de 30em30, tambémnão têmuma ovulação normal, o que leva ao aparecimento, a médio e longo prazo, de pequenos folículos ovarianos", salienta.

Apesar de não causar dores, há alguns sintomas aparentes da síndrome. O aparecimento de acnes, seborréia, aumento de pêlos, ganho ou perda de peso constante são sinais de que a paciente pode ser portadora dos ovários policísticos. Segundo Junqueira, esse distúrbio aparece em mulheres de todas as idades.

"Quando a causa é genética, os cistos podem aparecer na primeira menstruação. Já em outras mulheres, ela pode aparecer em qualquer fase da vida reprodutiva. Há casos em que a paciente sempre teve ciclos normais e, por alguma disfunção hormonal, passa a ter o problema", ressalta Junqueira. O médico explica ainda que, na maioria dos casos, o diagnóstico é dado após o exame de ultra-som.


Luana Barrote descobriu a síndrome a tempo e hoje faz tratamento para engravidar. Foto: Pedro Silveira

Sem dores
As irmãs Luana, 31, e Késsia Barrote, 33, descobriram há cerca de dez anos o problema. De acordo com Késsia, por não sentir dores e nem incômodo, nunca desconfiou que tinha o problema. "Fiquei sabendo aos 24 anos, quando fui fazer meus exames pré-nupciais. Como não queria engravidar naquela época, me tratei apenas com pílulas anticoncepcionais", diz Késsia.

Já Luana procurou orientação médica, pois tinha um ciclo extremamente descontrolado. "Tinha vezes que menstruava certinho. Emoutras, ficava dois, três até quatromeses semmenstruar. Além do desconforto na região do abdômen, eu penava comas acnes e o excesso de pêlos que apareciam, principalmente no rosto", explica. Segundo Luana, os exames mostraramque tanto ela quanto sua irmã desenvolveram cistos nos ovários esquerdo e direito.

Outras alterações

De acordo com o médico endocrinologista Leandro Diehl, a síndrome não é uma doença apenas dos ovários já que também está relacionada com a alteração do funcionamento de diversos sistemas do organismo. "Além do distúrbio dos ovários ocasionados pelo aumento na produção de hormônios masculinos, como a testosterona, as mulheres com a síndrome comumente apresentam um defeito na ação da insulina, um importante hormônio que controla os níveis de açúcar (glicose) e gorduras (colesterol) no sangue", ressalta.

Ele explica ainda que essas mulheres correm maior risco de apresentar aumento da glicose (diabetes mellitus) e do colesterol (dislipidemias), o que, em última análise, pode aumentar seu risco de doenças cardiovasculares como infarto e derrame", alerta.

Diehl salienta que até 30% das pacientes portadoras de ovários policísticos podem apresentar níveis aumentados de glicose no sangue, que às vezes só é detectado através de um teste com ingestão de açúcar via oral (o chamado teste de tolerância à glicose, ou curva glicêmica). Segundo o médico, além do tratamento com o ginecologista, as mulheres devem procurar o profissional ligado à endocrinologia, já que a síndrome envolve hormônios, glândulas e aumento de peso.

Tratamento varia com objetivos

Na grande maioria dos casos, o tratamento de ovários policísticos é feito com hormônios, principalmente com a utilização de anticoncepcionais. "Temos que dividir as pacientes em dois grupos, aquelas que querem engravidar e aquelas que não querem. No caso das pacientes que desejam engravidar, temos que descobrir a causa. Por exemplo, uma paciente que está com ciclos irregulares e o hormônio prolactina alto, basta utilizarmos uma medicação para que os ciclos voltem a ser regulares e as chances de gravidez retornam ao normal", explica João Pedro Junqueira.

"Nos casosmais comuns - onde as pacientes têm um distúrbio hormonal ovariano - o tratamento clássico é a indução da ovulação com medicamentos orais e/ou injetáveis. No caso das pacientes que não desejamengravidar e que excluímos as causa mais graves, o tratamento mais indicado é o uso regular de pílulas anticoncepcionais", completa o ginecologista.

Segundo ele, é importante lembrar que quando as pacientes portadoras do problema param de tomar a pílula, a irregularidade menstrual retorna e elas precisam de induzir a ovulação. Daí o mito de que a pílula gera infertilidade. "Não há cura, apenas um tratamento, e quando a mulher pára de se prevenir e não engravida volta à tona a anormalidade já existente. O fato de a mulher não conseguir engravidar não é culpa do uso freqüente de comprimidos contraceptivos e, sim, dos ovários policísticos", frisa Junqueira.

Imediatismo

A dificuldade de engravidar é uma realidade entre as mulheres que possuem ovários policísticos e, como ressalta o ginecologista João Pedro Junqueira, a paciente deve procurar tratamento imediatamente ao tomar a decisão de ser mãe. "As pacientes com esse tipo de problema correm maior risco de sofrer aborto espontâneo nos três primeiros meses de gestação", explica.

Luana Barrote conta que começou o tratamento com hormônios, tomando anticoncepcionais regularmente. "A pílula normalizou o meu fluxo menstrual. Agora que vou me casar, quero começar logo o tratamento voltado às mulheres que querem ter filhos, pois quero engravidar rápido e vejo o tanto que minha irmã sofre."

Principais sintomas

• Excesso de pêlos, principalmente no buço e no queixo 

• Presença de cravos e espinhas, principalmente no queixo, tórax e dorso 

• Perda ou ganho de peso sem motivo aparente 

• Irregularidade ou ausência do ciclo menstrual 

• Queda de cabelos 

• Dificuldade para engravidar 

• Pele e cabelos com excesso de oleosidade

 

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