O que fazer se a glicemia estiver muito alta (hiperglicemia)?
Mesmo se o paciente diabético cuidar-se bem, podem acontecer flutuações do nível de glicose no sangue.
Níveis elevados de glicemia (acima de 200 mg/dL) vão fazer com que o paciente elimine glicose pela urina. Nesse caso, o diabético vai urinar mais vezes e em maior quantidade, além de sentir sede em excesso.
O exercício físico pode ajudar a diminuir a glicemia. No entanto, não é recomendado se a glicemia estiver acima de 240 mg/dL.
Pacientes diabéticos do tipo 1 que desenvolvem alguma doença (por exemplo: infecções) e apresentam aumento da glicemia nessa ocasião devem fazer um teste para determinar a presença de cetonas na urina (cetonúria). Existem fitas disponíveis comercialmente para fazer esse teste, com resultado rápido (alguns segundos). Se o teste for positivo, o paciente deve procurar imediatamente um hospital. Importante ressaltar que o uso de insulina não deve ser interrompido.
As cetonas se formam no corpo quando o diabético tipo 1 tem algum problema que aumenta a quebra de gorduras do corpo, como infecções, uso de alguns medicamentos ou a parada do uso da insulina. Nesse caso, o paciente pode desenvolver uma complicação séria, com risco de vida, chamada cetoacidose diabética, que requer tratamento imediato dentro de um hospital.
Se o paciente estiver apresentando aumento da glicemia mas não possuir cetonas na urina, ele pode tentar comer um pouco menos que o habitual. Caso isso não controle a glicemia, deve-se entrar em contato com o médico para discutir maneiras de combater a hiperglicemia. Uma opção é o uso de insulinas de ação rápida para correção de eventuais hiperglicemias. Não devem ser usados medicamentos ou alterada a medicação em uso sem prescrição médica.
O que fazer se a glicemia estiver muito baixa (hipoglicemia)?
A hipoglicemia ocorre quando o nível de glicose cai abaixo de 70 mg/dL. Os sintomas que podem ocorrer são: tremores, tontura, confusão mental, dificuldade de concentração, fome, palidez, suor em excesso e dor de cabeça. Em casos graves, podem acontecer desmaios, convulsões e até coma. Hipoglicemias podem ocorrer se o paciente estiver fazendo uso da medicação para diabetes mas não se alimentar corretamente (ficar um período muito longo de tempo sem alimentação), alimentar-se menos que o habitual ou fizer exercício físico mais intenso que de costume.
Nesse caso, deve-se confirmar o nível de glicemia, se possível, através de medidas na ponta do dedo. O tratamento deve ser feito rapidamente com carboidratos de absorção rápida, tais como: um copo de suco ou refrigerante (com açúcar), ou 2 a 3 balas doces, ou sachês de glicose (disponíveis nas farmácias).
A melhora dos sintomas costuma ser rápida após a ingesta de carboidrato. A medida da glicemia deve ser repetida dentro de 15 minutos. Se continuar baixa, pode-se repetir a oferta de açúcar. Se, mesmo assim, a glicemia ainda estiver abaixo do normal (menor que 70mg/dL), o paciente deve ser levado a um hospital. Uma opção de tratamento, para indivíduos que têm hipoglicemias com facilidade, é o uso de glucagon injetável, na dose de 1 mg intramuscular, aplicado por outra pessoa. O glucagon é um hormônio que provoca o aumento da glicemia, e pode ser comprado em farmácias especializadas, com receita médica.
Hipoglicemias graves, que levam o paciente à perda de consciência, devem ser tratadas no hospital, com glicose endovenosa.
Os familiares e/ou as pessoas que convivem com o diabético devem ser ensinados a reconhecer e tratar episódios de hipoglicemia, pois algumas vezes o paciente pode ficar fraco ou torporoso demais para tratar-se sozinho.
Se o paciente estiver dirigindo e começar a apresentar sintomas de hipoglicemia, deve estacionar imediatamente e procurar tratamento, para evitar acidentes.
É comum apresentar hipoglicemias?
Alguns estudiosos do diabetes afirmam que “a hipoglicemia é um fato da vida para pacientes diabéticos”. De fato, estudos mostram que pacientes diabéticos em bom controle glicêmico costumam apresentar episódios leves de hipoglicemia com certa freqüência, de 1 a 3 vezes por semana, que melhoram rapidamente com a ingesta de carboidratos. Portanto, apresentar hipoglicemias leves ocasionalmente pode ser um bom sinal, representando que o controle está adequado.
No entanto, se o diabético começar a apresentar episódios de hipoglicemia grave, necessitando da ajuda de terceiros ou de tratamento em hospital, ou começar a sofrer interferências na sua vida pessoal devido a hipoglicemias muito freqüentes, torna-se importante procurar o médico para ajuste do tratamento.
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